Janeirão/2026
Dump da vida e das leituras
Um mês super quente aqui no Sudeste do Brasil, embora frio comigo em aspectos não tão literais. Resolvi que, tirando meus textos mais detalhados, que vou escrevendo ao longo do ano e têm um assunto específico, vou fazer um catadão de leituras e coisas todo mês, para talvez até impedir a minha necessidade de escrever detalhadamente sobre tudo em ordem cronológica, pois isso me faz acabar embananada e não criando texto nenhum.
Vamos lá!

Thermae Romae (volumes I, II e III), Mari Yamazaki.
No primeiro volume, o pessoal da JBC (a editora que trouxe o mangá para o Brasil) comenta que quis apostar em uma obra diferente para o nosso país. De fato, Thermae Romae é único de diversas formas! A autora, que mora fora do país há muito tempo, fez pesquisas muito profundas para relacionar o mundo dos banhos na Roma Antiga com o do Japão. Para estreitar esses tópicos, criou uma personagem (Lucius Modestus, excelente nome) que transita entre a lendária cidade e o país do Oriente, este em tempos mais modernos.
Os pontos positivos foram obter um conhecimento muito extenso, tanto do passado quanto do futuro, sobre um assunto que praticamente não é abordado aqui no Brasil. Além de a história apresentar o tema, ao fim de um punhado de capítulos, quando há a solução para um problema que Lucius enfrenta*, Yamazaki inicia sessões apenas por escrito nas quais comenta o que a fez escrever sobre aquele determinado tópico. Honestamente, por mais que a arte fale por si, e muito bem, pois é belíssima e consegue nos transportar para duas épocas diferentes com muita naturalidade, esse conteúdo enriquece ainda mais uma obra já tão robusta.

Talvez o ponto negativo seja justamente o que permite que a obra seja “longa”: a repetição da fórmula. Sempre algo vai ser exigido de Lucius em Roma, ou alguém pedirá algo a ele, e a resposta sempre estará no Japão. Apesar de extremamente nacionalista, toda vez que ele viaja “sem querer” para lá precisa admitir a genialidade dos japoneses e acaba simplesmente copiando e adaptando tudo para a sua realidade romana. Sua fama de inovador e vanguardista é fruto do mecanismo do acaso. E isso acaba “enjoando” um pouco, mas não o suficiente para fazer largar, pois sempre vai ter algo novo para aprender, mesmo dentro desse formato que parece andar em círculos. Então, acredito que pelo menos nessa primeira metade, já posso dizer com certa confiança que a série promete ser boa até o final (são 6 volumes).
*o enfrentar aqui é meio subjetivo pois, como disse no texto, Lucius simplesmente encontra as soluções de que precisa no Japão.
Diários de uma Apotecária (volume 5), Hyūganatsu (além de Itsuki Nanao [a pessoa que pega a história da light novel e adapta para os quadrinhos] e Nekokurage [a genial desenhista]).
Li os primeiros quatro volumes no ano passado, e agora vou aos pouquinhos lendo os restantes. Não acho que eu sempre vá ter muito o que falar sobre eles, por isso eu pretendo fazer um post maior só com os volumes que abrangem todos os capítulos do anime, pelo menos. Por enquanto, vou apenas destacar as melhores coisas dessas edições, que são com certeza a entrada da Suirei na história (o que terá um grande impacto lá na frente) e a Maomao convivendo com o Jinshi de uma forma mais próxima, inclusive de uma maneira que o humaniza e tira um pouco daquela aura de funcionário de alto escalão bonito e pervertido (aqui tudo da cabeça da nossa protagonista). A conversa entre o imperador e Jinshi também é interessante e coloca uma pulga atrás da orelha de quem ainda não sabe o que está por vir. Mais um grande volume!
(inclusive, é nesse quinto livro que o Jinshi bate a cabeça na parede quando vê a Maomao fofinha kkkkkkkkk merece destaque esse grande momento que foi muito bem animado para as telinhas)
Diários de uma Apotecária (light novel/volume 1), Hyūganatsu (e Touko Shino de ilustradora [e, consequentemente, a criadora do design de todas as personagens, que serviu de base para as adaptações em mangá e anime]).
Eu meio que já tinha terminado no ano passado, mas esqueci de ver as últimas imagens e aí o livro finalmente ficou 100% e eu acabei registrando como fim da leitura agora em 2026. Essa é a obra original que inspirou os mangás e eu gostei demais de como a autora conduziu a história! Eu li em inglês, mas agora em 2026 as traduções para o português vão começar a sair, então quero acreditar que mais pessoas terão acesso a essa maravilha!
Absence, Issa Quincy.
QUE LIVRO É ESSE? Estamos em fevereiro e ele já é um candidato a melhor do ano. Comecei de uma maneira despretenciosa e, quando me dei conta, já estava completamente arrebatada por ele. A coleção de histórias (que existem dentro de outra, maior, a do narrador) é fantástica e tudo em cada uma das narrativas está relacionado com o título (absence = ausência). Por se tratar do livro de estreia do autor, confesso que fiquei três vezes mais impressionada, pois como é que alguém logo de cara entrega uma obra tão bem feitinha assim? Impossível não se emocionar em vários momentos, e é bem interessante que os “causos” envolvem personagens de backgrounds e etnias diferentes, e que nada aponta para nenhuma obviedade. Um sopro de alívio por conhecer personagens diferenciadas e humanizadas no caos que comanda as suas vidas. Recomendo para todo mundo e já quero reler :’)
É isso, galera. Contem-me sobre suas leituras também, seja nos comentários ou no privado ou em outras redes etc.!
Agora, fotos de outras coisas do mês:







*lembrando que tenho um post sobre Banana Fish aqui:
Que Tamon abençoe a todes!




Que texto gostoso de ler. Leio poucos mangás, apesar de ter uma estante com coleções enormes do marido aqui hahahah. Mas seus textos têm me dado vontade de retomar a leitura de alguns, porque acho gostoso demais explorar formatos diferentes de leitura. Tem coisas que só um mangá ou uma HQ são capazes de contar, né?
Por aqui li livrinhos. Meu preferido do mês foi “Caderno Proibido”, da Alba de Céspedes, seguido por “Te dei olhos e olhaste as trevas”, da Irene Solà. Recomendo muitíssimo.
E sobre o que disse de ir trazendo suas leituras pra cá: apoio muitíssimo. Não só porque adoro saber da leitura dos outros, mas também pelo que você mesma pontuou. Se a gente fica lapidando demais, acaba não escrevendo. E texto bom é texto que tá no mundo!
Primeiro: amo suas escolhas de imagens hahahaha, eu adoro seus posts me dá muita vontade de ler mangá e assistir anime, ainda bem que essas vontades passam, mas eu gostaria mesmo de ler/assistir o da apotecária e tbm um outro que não lembro se foi vc ou outra pessoa que falou, mas é yona of the dawn coisa assim...
não tem segundo.